Ultimamente tenho ouvido uma versão da mesma pergunta vinda de clientes com perfis completamente diferentes. Startups, comércios locais, prestadores de serviço, empresas com anos de estrada. A pergunta varia na forma, mas o núcleo é o mesmo:
“Com toda essa IA, meu site ainda faz sentido?”
Entendo de onde vem a dúvida. O Google está respondendo antes do clique. O ChatGPT está recomendando antes da pesquisa. As redes sociais viraram o endereço principal de muitos negócios. E existe um número crescente de empreendedores que nunca chegaram a ter um site de verdade porque o Instagram “já resolve”.
Só que há um problema sério com esse raciocínio. E é exatamente sobre isso que quero conversar aqui.
Quer entender primeiro se o seu site corre risco de se tornar obsoleto? Leia também: Seu site vai morrer? Entenda o futuro dos sites na era da IA.
Construir sobre terreno alheio ainda é uma péssima ideia
Se o seu negócio vive apenas nas redes sociais, você não tem uma presença digital. Você tem um perfil em plataformas que pertencem a outras empresas, que mudam o algoritmo quando querem, que podem banir sua conta sem aviso e que cobram cada vez mais para você falar com o público que você mesmo construiu.
Não é estratégia. É terceirizar o controle da sua visibilidade para quem não tem nenhum compromisso com o seu sucesso.
Seu site é a única propriedade digital genuinamente sua. É o único lugar onde você define as regras, a narrativa, a experiência e o que acontece depois que alguém chega até você.
Na Making, acreditamos que marketing digital não é terceirização de esperança. É construção de controle. Seu site é o único lugar onde você tem esse controle genuinamente.
Dito isso, a dúvida dos clientes não é completamente sem fundamento. O papel do site está mudando, e de forma bastante significativa. Muitas empresas, inclusive algumas que já têm sites, ainda não ajustaram nem a mentalidade nem a estrutura para o que está acontecendo agora.
O site deixou de ser destino e virou infraestrutura
Em um artigo bastante esclarecedor, The Role of Websites in the Age of AI, o pesquisador Shawn Davis coloca com precisão o que está acontecendo: os sites estão migrando de destinos finais para a espinha dorsal da internet mediada por IA.
O que isso significa na prática?
Antes, o objetivo era simples: aparecer no Google, atrair o clique, converter na página. A jornada começava na busca e terminava, ou não, no seu site.
Agora, a jornada mudou de formato. O ChatGPT responde antes de o usuário clicar. O Perplexity sintetiza três fontes diferentes numa única resposta. O Google já apresenta um resumo gerado por IA antes dos links. E navegadores com agentes integrados fazem compras, agendam serviços e redigem e-mails em nome do usuário, sem que ele precise visitar nenhum site.
Isso não significa que seu site deixou de importar. Significa que ele importa de uma forma diferente, e que muitas empresas ainda estão operando com uma lógica de 2015.
Fatos rápidos sobre sites na era da IA
- Tráfego automatizado em 2024: 51% de todo o tráfego da web veio de bots, superando o tráfego humano pela primeira vez (Imperva Bad Bot Report, 2024)
- Queda prevista no tráfego orgânico até 2026: até 64% de redução projetada (Gartner)
- Queda prevista no volume de buscas até 2026: 25% (Gartner)
- Taxa de conversão do tráfego via LLMs: 3x maior do que outros canais (Microsoft, citado por Shawn Davis)
- Mercado de comércio agêntico até 2030: US$ 1 trilhão projetados no varejo B2C dos EUA (Gartner)
- Melhor formato para citação por IA: conteúdo estruturado, FAQs claras e schema markup implementado
- Atualizado em: março de 2026, com base em Shawn Davis (The Role of Websites in the Age of AI) e relatórios de mercado de 2024 a 2026
O que mudou na lógica de ranqueamento e por que isso importa para o seu negócio
O SEO tradicional girava em torno de palavras-chave. Você identificava o termo, otimizava a página, subia nas posições e ganhava cliques.
Os sistemas de IA operam de forma diferente. Eles não procuram palavras. Eles procuram contexto, intenção e confiabilidade.
Quando o ChatGPT ou o Gemini recebe uma pergunta, ele não retorna uma lista de links. Ele sintetiza uma resposta a partir de múltiplas fontes e decide qual conteúdo merece ser citado. Os critérios para essa decisão passam por:
- Estrutura: o conteúdo é fácil de processar? Tem dados estruturados via schema markup? Tem FAQs claras? As informações são organizadas de forma lógica?
- Autoridade: quem escreveu? Tem embasamento? O conteúdo é original ou é mais do mesmo?
- Confiabilidade: as informações são verificáveis? Têm fontes? São atualizadas?
- Linguagem natural: o texto responde perguntas reais de forma conversacional, ou é um amontoado de palavras-chave forçadas?
Isso é o que chamamos de GEO, Generative Engine Optimization: a disciplina de otimizar seu conteúdo não apenas para aparecer nos resultados de busca, mas para ser a fonte que a IA escolhe citar.
Na prática, em muitos sites que auditamos aqui na Making, o problema não é falta de conteúdo. É conteúdo que nenhuma IA consegue aproveitar direito porque não está estruturado, não demonstra autoria clara e não tem profundidade real.
Confiança não é detalhe técnico, é o centro da estratégia
Aqui vale uma parada.
Existe uma tentação muito comum quando o assunto é SEO e IA: focar nos ajustes técnicos e achar que isso resolve. Schema aqui, metadado ali, uma FAQ no rodapé e pronto.
Não é assim que funciona.
A atualização central do Google de dezembro de 2025 deixou isso bem evidente. Os sites que melhoraram de verdade não foram os que ajustaram uma tag ou fizeram revisões isoladas de SEO técnico. Foram os que investiram em algo mais difícil e mais valioso: confiança real.
O que isso significa na prática? Significa melhorar o atendimento ao cliente, não só o código da página. Significa deixar claro quem escreveu o conteúdo e por que essa pessoa tem autoridade para falar sobre aquilo. Significa incentivar e exibir avaliações reais de clientes reais, não depoimentos genéricos que poderiam ter sido escritos por qualquer um.
O Google, assim como as IAs generativas, está ficando cada vez melhor em distinguir confiança genuína de confiança simulada. E os negócios que constroem reputação real, no mundo real, são os que continuam aparecendo quando os algoritmos mudam.
Na Making, vemos isso repetidamente em auditorias: sites tecnicamente corretos que não ranqueiam porque não transmitem credibilidade. E sites com estrutura razoável que performam bem porque a reputação da marca no mercado é sólida.
O framework que continua valendo, e vai continuar
Uma coisa precisa ficar clara: o E-E-A-T não morreu com a chegada da IA generativa. Ele ficou mais importante, e mais difícil de fingir.
Experiência, Especialização, Autoridade e Confiabilidade continuam sendo os critérios centrais pelos quais tanto o Google quanto os sistemas de IA generativa avaliam se o seu conteúdo merece ser recomendado.
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A diferença é que, no ambiente de IA, esse julgamento acontece de forma mais direta e automática. Se o seu site não demonstra expertise real, se o conteúdo parece genérico, se não há autoria clara, se as informações não são verificáveis, a IA simplesmente vai citar outra fonte.
E essa outra fonte vai ser o seu concorrente.
Um ponto que merece atenção especial: conteúdo baseado em experiência real está ganhando cada vez mais peso. Texto que replica o que já existe em outros lugares, sem acrescentar perspectiva própria, dado original ou vivência prática, está sendo desvalorizado sistematicamente, tanto pelo Google quanto pelos LLMs que escolhem suas fontes.
Isso não é uma tendência passageira. É uma direção clara sobre o tipo de conteúdo que vai continuar sendo relevante.
Conteúdo profundo vence conteúdo genérico, sempre
Existe um volume enorme de conteúdo na internet hoje que não serve para nada além de ocupar espaço. São textos que parecem informativos mas não ensinam nada que você não pudesse encontrar em qualquer outra página sobre o mesmo assunto.
Esse tipo de conteúdo está sendo filtrado.
Os sistemas de busca e as IAs estão priorizando conteúdo que tem algo que o resto não tem: uma perspectiva, uma experiência em primeira mão, dados próprios, uma análise que vai além do óbvio.
Isso vale para qualquer segmento. Um guia com experiências e recomendações pessoais performa melhor do que um guia montado com informações genéricas coletadas de outras fontes. Uma avaliação real de produto, incluindo pontos negativos, converte mais do que uma descrição que parece saída do catálogo do fabricante.
A pergunta que vale fazer sobre cada página do seu site é: o que tem aqui que não tem em nenhum outro lugar?
Se a resposta for “nada muito diferente”, esse conteúdo precisa de revisão.
O que o comércio agêntico tem a ver com o seu site
Esse é um conceito que ainda pouca gente no Brasil está levando a sério, e é exatamente por isso que vale atenção agora.
O comércio agêntico é o cenário onde agentes de IA realizam ações completas em nome do usuário: pesquisam, comparam, escolhem e até finalizam compras, sem que o consumidor precise visitar um único site manualmente.
O mercado global de comércio agêntico pode movimentar até US$ 1 trilhão no varejo B2C dos EUA até 2030, segundo projeções da Gartner. Não é ficção científica. É o próximo passo de uma tendência que já está em curso.
Para o seu negócio, isso significa uma coisa muito concreta: se o seu site não for legível para esses agentes, se as informações de produtos e serviços não estiverem estruturadas de forma que uma máquina consiga processar e agir sobre elas, você simplesmente não vai existir nesse novo canal.
Quer entender melhor esse conceito? Em breve publicamos um artigo completo explicando o que é comércio agêntico e como se preparar para ele.
O que você precisa fazer agora
Não vou entregar uma lista de 47 itens técnicos porque isso não vai ajudar ninguém. O que importa é entender a lógica e aplicar com consistência.
Resultado sustentável não vem do último clique, mas da consistência ao longo do tempo. Por isso, o que vou compartilhar aqui são os princípios que realmente importam.
Trate seu site como uma infraestrutura de dados, não só como uma vitrine
Seu site precisa ser legível tanto para humanos quanto para máquinas. Isso significa implementar schema markup, manter metadados consistentes, ter uma arquitetura clara e fornecer informações de produtos e serviços de forma estruturada.
Se um bot de IA visitar seu site hoje e não conseguir entender rapidamente o que você faz, para quem faz e por que é confiável, você perdeu a chance de ser citado naquela resposta.
Mostre quem está por trás do conteúdo
Autoria clara não é opcional. Quem escreveu? Qual a experiência dessa pessoa? Quando o conteúdo foi atualizado? Com base em quê?
Essas informações precisam estar explícitas no texto e no código da página. A IA não pressupõe autoridade. Ela lê os sinais que você fornece. E o Google também.
Produza conteúdo que responde perguntas reais com profundidade real
FAQs bem escritas, definições claras, guias com linguagem natural e perspectiva própria. Esse tipo de conteúdo é o combustível das respostas de IA. Não é coincidência que páginas com perguntas e respostas diretas, escritas por quem realmente entende do assunto, aparecem com muito mais frequência nos resultados gerados por LLMs.
Construa confiança fora do site também
Avaliações no Google, menções em outros sites relevantes, consistência de informações em todos os canais. A IA e o Google constroem uma visão da sua marca a partir de múltiplas fontes. Se o que encontram for consistente e positivo, isso reforça sua autoridade. Se houver contradições ou ausência de referências externas, isso enfraquece.
Não abandone a experiência do usuário humano
O tráfego vindo de LLMs converte três vezes mais do que outros canais. Isso significa que quando essa pessoa chega ao seu site, ela já tem intenção real. Você não pode desperdiçar esse momento com uma página lenta, confusa ou que não entrega o que prometeu na resposta da IA.
Não existe atalho técnico para o que estamos falando
Quando surgem mudanças nos algoritmos do Google ou nas formas como as IAs selecionam fontes, a reação mais comum é buscar um ajuste técnico rápido. Um plugin, uma configuração, uma ferramenta que promete resolver.
Esses ajustes têm seu valor, mas não são a solução principal.
Os negócios que constroem presença digital duradoura são os que focam em satisfação real do usuário, em conteúdo genuinamente melhor do que o da concorrência e em sinais de confiança que vêm do mundo real para o ambiente digital, e não o contrário.
Esse processo leva tempo. Meses, às vezes mais. Não existe atalho que substitua consistência.
Marketing digital não é mágica. É método. É decisão. É responsabilidade.
E para quem ainda não tem site: essa conversa é urgente
Se você está construindo um negócio hoje com base apenas em redes sociais, precisa entender o que está em jogo.
Estar em todos os lugares não é estratégia. É fuga de decisão. As redes sociais são ótimas para alcance, mas não são infraestrutura de negócio. Você não pode fazer SEO sério no Instagram. Você não vai aparecer nas respostas do ChatGPT por causa de um post no LinkedIn. E você não tem controle sobre o que acontece com o seu público se a plataforma mudar as regras, o que ela faz constantemente.
Um site bem construído, com conteúdo de qualidade e estrutura técnica adequada, é o ativo digital de longo prazo que nenhuma rede social pode substituir. É a casa construída em terreno próprio, enquanto as redes sociais são, na melhor das hipóteses, um ponto de atração que leva as pessoas até essa casa.
Marketing digital não é sobre estar em todos os lugares. É sobre construir algo que pertence a você e que trabalha por você, mesmo enquanto você dorme.
Perguntas frequentes sobre sites na era da IA
Meu site ainda precisa existir com tanta IA por aí? Sim, e mais do que antes. O papel do site mudou de destino para infraestrutura. É o seu conteúdo publicado no site que alimenta as respostas geradas por IAs como ChatGPT e Gemini. Sem site, você simplesmente não existe para esses sistemas.
Por que o tráfego do meu site está caindo se estou publicando conteúdo? A queda no tráfego orgânico é uma tendência estrutural, não um problema pontual. As IAs estão respondendo perguntas antes de o usuário clicar. Isso não invalida a estratégia de conteúdo, mas exige uma mudança de abordagem: o objetivo agora é ser citado pelas IAs, não apenas ranqueado no Google.
O que é GEO e como é diferente de SEO? SEO tradicional foca em palavras-chave e posições nos resultados de busca. GEO, Generative Engine Optimization, foca em tornar o seu conteúdo a fonte preferida das IAs generativas. Envolve estrutura técnica, linguagem natural, autoridade explícita e dados verificáveis.
O tráfego vindo de IA converte mesmo? Sim. Dados citados pela Microsoft indicam que visitantes provenientes de LLMs têm três vezes mais chance de converter do que os vindos de outros canais. Isso acontece porque chegam com intenção muito mais definida.
Posso usar apenas redes sociais no lugar de um site? Não é recomendável. Redes sociais são plataformas de terceiros com regras que mudam sem aviso. Você não tem controle sobre o algoritmo, o alcance ou a permanência do seu conteúdo. Um site é o único ativo digital genuinamente seu.
O que é schema markup e por que ele importa para IA? Schema markup são dados estruturados inseridos no código da página que ajudam tanto o Google quanto as IAs a entenderem o significado do seu conteúdo. Sites com schema bem implementado têm maior probabilidade de ser citados em respostas geradas por IA.
O que é comércio agêntico e por que devo me preocupar com isso agora? Comércio agêntico é quando agentes de IA realizam compras e ações em nome dos usuários, sem que eles precisem visitar sites manualmente. O mercado projetado é de US$ 1 trilhão até 2030 (Gartner). Para participar desse canal, seu site precisa estar estruturado de forma que máquinas consigam ler, interpretar e agir sobre as suas informações.
Meu site tem bom SEO técnico mas não aparece nas respostas de IA. Por quê? Técnica é necessária, mas não suficiente. O que geralmente falta nesses casos é confiança genuína: autoria clara, conteúdo com perspectiva original, avaliações reais, reputação construída fora do site. As IAs, assim como o Google, estão cada vez melhores em distinguir credibilidade real de credibilidade simulada.
Quanto tempo leva para ver resultado com GEO? Não existe uma resposta única. Depende da autoridade do domínio, da qualidade do conteúdo e da competitividade do setor. O que sabemos é que consistência e confiança construída ao longo do tempo são os fatores determinantes. Não há atalho que substitua esse processo.
O que fazemos na Making com isso tudo
Na Making, acompanhamos de perto como essa transição afeta os negócios dos nossos clientes. E a realidade que vemos é que a maioria dos sites ainda opera com uma lógica pré-IA: páginas visualmente razoáveis, conteúdo genérico, sem estrutura técnica adequada e sem os sinais de confiança que os sistemas atuais exigem.
O resultado é invisibilidade progressiva. Não da noite para o dia, mas um esvaziamento gradual da relevância digital.
Nosso trabalho é ajudar empresários a entenderem de onde vêm seus clientes, a construírem presença digital que pertence a eles e que trabalha por eles com consistência. Não com promessas de resultado em 30 dias, mas com método, estrutura e decisões baseadas em dados.
Se você quer entender como o seu site está posicionado para a era da IA, ou se ainda está construindo a sua presença digital sobre terreno alheio, a conversa começa aqui.
Referências: Shawn Davis, “The Role of Websites in the Age of AI”. Imperva Bad Bot Report 2024. Projeções de queda de tráfego orgânico e comércio agêntico: Gartner. Dado de conversão via LLMs: Microsoft, citado por Shawn Davis. Observações sobre core update e E-E-A-T: Marie Haynes, “The December 2025 Core Update: Observations on 4 sites that did well”.

