Por que o last click já não basta (e como evoluir para uma visão de Brandgrowth)

Por que o last click já não basta (e como evoluir para uma visão de Brandgrowth)

Durante muitos anos, o modelo de atribuição last click foi a principal forma de medir resultados no marketing digital. Simples, direto e fácil de implementar, ele ajudou empresas a entenderem quais canais estavam “convertendo” e onde investir mais orçamento.

Mas o comportamento do consumidor mudou. As jornadas de compra ficaram mais longas, mais fragmentadas e muito mais influenciadas por marca, conteúdo e múltiplos pontos de contato. 

Nesse cenário, analisar resultados somente pelo último clique deixou de ser suficiente e, em muitos casos, passou a distorcer decisões estratégicas.

Neste artigo, vamos entender por que o last click está ficando obsoleto, quais são seus principais limites e como evoluir para uma visão mais completa, que integra branding e performance, o que hoje chamamos de Brandgrowth.

O que é o last click e por que ele se popularizou

O last click é um modelo de atribuição que concede 100% do crédito da conversão ao último ponto de contato antes da compra. Esse ponto pode ser um anúncio pago, um e-mail, uma busca direta pela marca ou até o tráfego direto.

Sua popularização está diretamente ligada a ferramentas como o Google Analytics, que tornaram esse tipo de análise acessível, sem necessidade de integrações complexas ou modelagens estatísticas avançadas. 

Para empresas com jornadas curtas ou operações de marketing menos maduras, o last click funcionou como uma solução prática.

O problema é que essa simplicidade cobra um preço: toda a jornada anterior do consumidor é ignorada. 

As decisões de compra não acontecem de forma imediata ou isolada; elas são construídas ao longo de múltiplas interações, em diferentes canais, formatos e momentos.

Hoje, o consumidor pesquisa, compara, consome conteúdo, avalia reputações e cria expectativas antes mesmo de demonstrar intenção de compra. 

Nesse contexto, o clique final é apenas a última etapa de um processo muito mais amplo, e não o verdadeiro responsável pela decisão. Quando analisamos somente esse momento, perdemos a compreensão de quais estímulos geraram interesse, confiança e preferência ao longo da jornada.

Os limites do last click na jornada de compra atual

Hoje, raramente um consumidor toma uma decisão de compra em um único contato. A jornada costuma envolver:

  • Descoberta da marca em redes sociais ou anúncios
  • Pesquisas informacionais no Google
  • Avaliações em blogs, vídeos ou marketplaces
  • Provas sociais, como depoimentos e reviews
  • Um estímulo final, como uma oferta ou remarketing

Quando analisamos apenas o último clique, assumimos que ele foi o grande responsável pela conversão. Mas será que teria funcionado sozinho?

Na prática, o último clique geralmente atua como atalho final, não como origem da decisão. Ele facilita a compra de alguém que já foi convencido ao longo do caminho.

Por isso, o last click tende a supervalorizar ações de fundo de funil de vendas, subestimar canais de topo e meio e gerar leituras incompletas sobre o que realmente impulsiona o crescimento.

Tráfego direto, o “vilão invisível”

Um dos efeitos mais comuns do last click é a concentração das conversões em tráfego direto, ou seja, buscas diretas pelo nome da empresa ou acessos classificados como “diretos”.

Em muitos negócios, 80% a 90% das conversões vêm desses acessos. À primeira vista, isso pode parecer um sinal de que o fundo do funil está performando muito bem. Mas, na realidade, esse dado esconde toda a construção anterior.

O consumidor só busca a marca porque:

  • Foi impactado por campanhas de branding
  • Consumiu conteúdo
  • Teve experiências positivas em diferentes pontos de contato

Ou seja, o tráfego direto não é um canal isolado. Ele é resultado da força acumulada da marca ao longo da jornada.

A jornada do consumidor sob a ótica do AIDA

O modelo AIDA (Atenção, Interesse, Desejo e Ação) ajuda a visualizar melhor esse processo:

  • Atenção: campanhas de branding, redes sociais e conteúdo apresentam a marca ao público.
  • Interesse: blogs, vídeos, comparativos e materiais educativos aprofundam o conhecimento.
  • Desejo: provas sociais, cases e depoimentos reduzem riscos e aumentam a confiança.
  • Ação: remarketing, ofertas e buscas diretas viabilizam a conversão.

O last click costuma registrar a última etapa, ou seja, a ação, ignorando o papel decisivo das fases anteriores. 

Com dados baseados em uma visão e análise limitada do cenário, leva as empresas a investirem cada vez mais em mídia paga e remarketing, enquanto reduzem investimentos em construção de marca. O que é um erro.

Leia também Remarketing e retargeting: estratégias poderosas para aumentar suas conversões.

Por que analisar somente canais já não funciona?

Outro ponto crítico é a análise baseada exclusivamente em canais de marketing.

Em um mesmo canal, como o Google, podem existir intenções completamente diferentes, por exemplo:

  • “Melhores notebooks de 2025” (busca informacional)
  • “Notebook Dell vale a pena?” (comparação)
  • “Comprar Dell XPS” (intenção transacional)

Apesar de estarem no mesmo canal, esses acessos representam momentos distintos da jornada e quando olhamos só para o canal, perdemos o contexto e a intenção do consumidor.

Indicadores que vão além do último clique

Para evoluir a análise, é importante observar métricas que reflitam a força da marca, não apenas conversões finais. Alguns exemplos:

  • Tráfego direto e buscas de marca: indicam reconhecimento e preferência.
  • Share of Search: mede a participação da sua marca no volume total de buscas da categoria.
  • Engajamento com conteúdo: mostra interesse e construção de relacionamento.
  • Dados qualitativos: respostas diretas dos consumidores sobre como conheceram a marca.

O Share of Search, popularizado por Les Binet, tem forte correlação com market share e é um excelente indicador de crescimento no médio e longo prazo.

Brandgrowth: integrando branding e performance

Ao olhar para indicadores como buscas de marca, tráfego direto, engajamento e Share of Search, fica claro que o crescimento sustentável não acontece no momento da conversão. Ele é construído ao longo de toda a jornada, por meio das experiências que o consumidor tem com a marca.

É nesse contexto que surge o conceito de Brandgrowth, uma abordagem que integra branding e performance em um único sistema de crescimento. 

Em vez de tratar o topo e o fundo do funil como áreas separadas, o Brandgrowth parte da premissa de que a marca é o principal ativo de aquisição.

Branding deixa de ser somente reconhecimento, e performance deixa de ser somente conversão. Juntos, eles criam marcas que:

  • São lembradas
  • São desejadas
  • São buscadas ativamente pelo consumidor

Quando isso acontece, o custo de aquisição tende a cair, as taxas de conversão aumentam e a jornada de compra se torna mais curta e eficiente.

O que muda quando paramos de medir somente o último clique

O last click não está “errado”, ele simplesmente não explica a complexidade da jornada atual. 

Quando usado como única métrica, leva a decisões baseadas em dados incorretos, investimentos desequilibrados, e muitas vezes desnecessários, e um crescimento cada vez mais limitado.

Evoluir significa ir além do clique final e passar a:

  • Analisar a jornada como um todo;
  • Combinar dados quantitativos e qualitativos;
  • Integrar branding e performance;
  • Encarar a marca como motor de crescimento.

Ao adotar uma visão de Brandgrowth, sua empresa deixa de otimizar só os canais e passa a construir um crescimento mais sólido, mensurável e sustentável.

No fim, o futuro do marketing não está no último clique, mas em tudo o que acontece antes dele.

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