marca mais importante que trafego

O marketing digital está mudando: por que construir marca voltou a ser prioridade 

O avanço das inteligências artificiais está mudando a forma como empresas são encontradas. Entenda por que depender apenas de tráfego e canais isolados pode se tornar um risco cada vez maior.

No último 30 de maio participei de um curso ao vivo conduzido por Diego Ivo, fundador da Conversion, que reuniu profissionais de marketing, SEO, tecnologia e negócios para discutir um dos temas mais relevantes da atualidade: o impacto da inteligência artificial no futuro das buscas.

Foram mais de oito horas de conteúdo abordando SEO, GEO, agentes de IA, comportamento dos consumidores e as transformações que já começam a alterar a forma como as pessoas descobrem empresas, produtos e serviços na internet.

Este artigo não tem como objetivo resumir o evento ou apresentar ferramentas específicas lançadas durante o curso. O que pretendo aqui é compartilhar algumas reflexões que considero especialmente importantes para pequenas e médias empresas, gestores e profissionais de marketing que dependem da internet para gerar negócios. 

A principal delas é simples:

Durante muitos anos o marketing digital ensinou empresas a perseguirem canais.
Talvez a próxima década seja marcada pelas empresas que aprenderem a construir marcas.

O comportamento de busca está mudando diante dos nossos olhos

Por muitos anos, quando falávamos sobre busca, praticamente estávamos falando sobre Google.

Naturalmente existiam outros ambientes de descoberta, como YouTube, marketplaces, redes sociais e mecanismos de busca internos, mas a maior parte das estratégias digitais era construída pensando em como conquistar visibilidade dentro dos resultados do Google.

Nos últimos anos esse cenário começou a mudar.

Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e os próprios recursos de IA incorporados aos mecanismos tradicionais passaram a ocupar um espaço cada vez maior na jornada de descoberta dos usuários.

Isso não significa que o Google deixou de ser importante. Muito pelo contrário. O que está acontecendo é uma pulverização dos ambientes de busca.

As pessoas continuam pesquisando. Continuam comparando produtos. Continuam buscando recomendações. Continuam procurando fornecedores. Mas nem sempre fazem isso no mesmo lugar.

O problema não é que as pessoas deixaram de buscar. O problema é que elas passaram a buscar em lugares diferentes.

O maior erro que empresas podem cometer agora

Toda vez que surge uma grande mudança tecnológica, muitas empresas procuram uma solução rápida. Uma nova ferramenta. Um novo plugin. Uma nova configuração. Um novo truque.

Mas talvez o maior risco atual seja continuar acreditando que apenas um canal será responsável por sustentar o crescimento do negócio.

Durante anos vimos empresas dependerem quase exclusivamente de Google Ads. Outras dependeram de SEO. Algumas concentraram praticamente toda sua geração de demanda nas redes sociais. Outras apostaram tudo em marketplaces. O problema é que qualquer plataforma pode mudar. Qualquer algoritmo pode mudar. Qualquer comportamento de consumo pode mudar.

Empresas que constroem apenas tráfego dependem de plataformas. Empresas que constroem marca tendem a sobreviver às mudanças das plataformas.

Leia também: Marketing digital para pequenas empresas para entender como estruturar sua estratégia além de um único canal.

Meu site está perfeito, mas não aparece na IA

Seu site pode estar perfeito e ainda assim não aparecer nas respostas das IAs

Essa talvez seja uma das maiores dúvidas que temos recebido nos últimos meses.

Muitos empresários acreditam que basta preparar tecnicamente um site para que ele passe a ser recomendado pelas inteligências artificiais. Na prática, a realidade é mais complexa.

Recentemente conversamos com uma empresa extremamente especializada em seu segmento. Seu site é tecnicamente correto, acessível aos mecanismos de busca, estruturado adequadamente e preparado para rastreamento.

Mesmo assim, ao realizar pesquisas em ferramentas de IA, seus principais concorrentes apareciam nas respostas enquanto sua marca sequer era mencionada.

O motivo não estava no site. Estava no entorno da marca.

Os concorrentes possuíam mais presença digital, mais reconhecimento, mais conteúdo publicado, mais menções em diferentes fontes e uma construção de autoridade realizada ao longo dos anos.

Ser acessível para a IA não significa ser relevante para ela.

Por que as IAs citam algumas empresas e ignoram outras?

Por que as IAs citam algumas empresas e ignoram outras?

Essa é uma pergunta que provavelmente será cada vez mais comum.

Durante muito tempo o foco esteve concentrado em páginas, palavras-chave e posicionamentos.

Agora estamos entrando em um cenário em que sistemas de IA tentam entender algo mais amplo.

Eles tentam entender quem merece confiança.

Isso envolve uma combinação de fatores: autoridade, reconhecimento, reputação, presença em diferentes canais, produção contínua de conteúdo, avaliações, menções em outros ambientes e relacionamentos construídos ao longo do tempo.

Em outras palavras, as IAs não estão avaliando apenas páginas. Elas estão tentando entender quais empresas merecem confiança.

O conteúdo continua importante, mas por um motivo diferente

Uma dúvida que temos ouvido ultimamente de clientes: “se as pessoas estão deixando de entrar nos sites para consumir conteúdo, por que continuar produzindo conteúdo?”

A resposta é simples: as pessoas não pararam de consumir conteúdo. Elas apenas mudaram o lugar onde consomem. Antes, você produzia conteúdo para atrair cliques. Hoje, você produz conteúdo para ser a resposta que a IA dará quando alguém fizer uma pergunta sobre seu segmento. É uma mudança fundamental.

Quando um potencial cliente pergunta ao ChatGPT “qual é a melhor agência de marketing digital para PME”, a IA não vai listar links. Ela vai sintetizar uma resposta baseada no que conhece sobre as marcas do mercado. Se sua empresa não tem presença consistente de conteúdo, ela simplesmente não aparecerá nessa resposta. E se não aparece na resposta da IA, você não existe para esse cliente.

Produzir conteúdo agora significa:

Estar no “conhecimento” da IA sobre sua marca. Se você não publica nada, a IA não tem informação sobre você. É tão simples quanto isso.

Ser reconhecido como fonte confiável. A IA prefere citar empresas que têm histórico de conteúdo original, dados próprios e pontos de vista claros. Não é suficiente ter um site bonito e tecnicamente bem feito. Você precisa ter voz.

Preparar o cliente para buscar sua marca. Quando a IA menciona sua empresa em uma resposta, o usuário fica curioso e busca por você no Google. Aí sim entra o clique. Mas agora o clique é consequência, não o objetivo.

Durante anos produzimos conteúdo para gerar cliques. Agora produzimos conteúdo para gerar presença. E presença é o que sustenta relevância quando os algoritmos mudam.

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O futuro da internet seria dos bots?

Estamos caminhando para uma internet onde bots terão papel cada vez maior

Outra reflexão apresentada durante o curso foi a ideia de que estamos nos aproximando de um cenário em que agentes automatizados e sistemas de inteligência artificial participarão cada vez mais da descoberta e interpretação das informações disponíveis na internet.

Independentemente dos números exatos ou do prazo em que isso acontecerá, a tendência parece clara.

Cada vez mais decisões passarão por algum tipo de sistema inteligente antes de chegarem ao usuário final. Isso não significa que os seres humanos desaparecerão da equação. Significa apenas que existirão novas camadas intermediando a forma como informações, marcas e recomendações chegam até as pessoas.

Por isso, entender apenas como os usuários pesquisam talvez já não seja suficiente. Também será necessário compreender como os sistemas interpretam sua marca.

O SEO continua importante?

Sim. E talvez mais importante do que nunca. Mas não exatamente da mesma forma.

O SEO continua sendo fundamental para tornar conteúdos encontráveis, acessíveis e compreensíveis. A diferença é que ele passa a conviver com novos desafios. Além dos mecanismos de busca tradicionais, surgem novas superfícies de descoberta, novas formas de consumo de informação e novos critérios de relevância.

O objetivo continua sendo ser encontrado. O desafio agora é ser encontrado em muito mais lugares.

Qual é a diferença entre SEO tradicional e GEO?

O SEO tradicional foca em posicionar páginas em mecanismos de busca como o Google. O GEO vai além, trabalhando com a construção de autoridade da marca como um todo. Enquanto o SEO é mais técnico, o GEO envolve presença em múltiplas superfícies digitais, menções em fontes externas, e a criação de uma entidade digital confiável que as IAs possam reconhecer e citar.

O que estamos testando aqui na Making

Assim como muitas agências e equipes de marketing ao redor do mundo, estamos acompanhando atentamente essas mudanças. Algumas das ferramentas apresentadas durante o evento já foram instaladas por nossa equipe em ambientes de homologação para avaliação e testes internos.

Ainda é cedo para afirmar quais iniciativas se tornarão padrões consolidados de mercado. Mas a direção estratégica apresentada faz sentido e está alinhada com diversas discussões que já vínhamos acompanhando nos últimos anos.

Mais do que procurar atalhos, nosso objetivo é entender quais mudanças realmente geram valor para os clientes e quais delas representam apenas ruído em meio a tantas novidades.

Por onde começar: os primeiros passos

Se você quer construir marca e aparecer nas respostas de IA, comece com uma auditoria do seu site e da sua presença digital. Garanta que seu site seja técnico e acessível. Em seguida, invista em produção de conteúdo original, com foco em autoridade e utilidade. Participe de conversas relevantes no seu segmento, construa relacionamentos e fortaleça sua marca em diferentes canais. A consistência e a relevância são fundamentais para ser reconhecido pelas IAs.

Se existe uma conclusão que merece atenção de empresários e profissionais de marketing, talvez seja esta:

Ter um bom site continua sendo importante. Ter uma estratégia de SEO continua sendo importante. Ter campanhas de mídia continua sendo importante.

Mas nenhuma dessas iniciativas, isoladamente, será capaz de sustentar a relevância de uma empresa no longo prazo.

As empresas que provavelmente se destacarão nos próximos anos não serão necessariamente aquelas com mais páginas indexadas ou mais anúncios ativos. Serão aquelas que conseguirem construir reputação, autoridade e reconhecimento de forma consistente.

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